Na Maratona e em Hospitais, Rabinos Prestam Apoio às
Vítimas da Tragédia
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  Por Karen Schwartz e M. Carin Smilk
 

16 de abril de 2013 03:12

Rabino Mayer Zarchi estava com um estande montado perto da linha de chegada da Maratona de Boston na segunda-feira de manhã. Ele estava distribuindo calendários e livros, além de colocar tefilin em judeus que passavam por lá. Ele afastou-se dali para tomar um café com alguns vizinhos, e ao saírem da cafeteria, houve uma tremenda explosão, uma ou duas que teriam atingido a maratona do circuito de segunda à tarde. Segundo relatos, três pessoas foram mortas e cerca de 100 a 150 ficaram feridas das explosões que ocorreram em torno de 14h50. "As pessoas começaram a correr para longe da explosão, da linha de chegada”, Zarchi falou. "Nunca vi nada parecido com isto antes - a natureza da carnificina, você não consegue articular em palavras. Era irreal. "

Após os ataques, atletas e equipes de apoio não podiam usar seus celulares com sinal cortado para evitar que outras bombas pudessem ser acionadas a distância via celular, Zarchi abriu seu Beit Chabad, localizado a três quadras de distância, para que eles pudessem usar o telefone fixo e ligar para seus amigos e familiares nos EUA e no exterior para que soubessem que estavam salvos. Ele distribuiu água e correu para fora, após encher garrafas com água e chá e voltou às ruas para ver o que mais precisava ser feito. Havia helicópteros em toda parte, ele disse, e enxames de oficiais táticos. "Tudo foi fechado", disse ele.

A polícia mandou que todos esvaziassem a área e fossem para casa ou pegasse uma condução em uma das estações que ainda estava em funcionamento para sair da cidade. Em cinco a seis horas toda a área estava deserta, exceto pelos helicópteros. "O único barulho que se escutava era o som dos helicópteros zunindo acima."

Pelas seis horas, ele se dirigiu a caminho do Hospital Geral de Massachusetts, cerca de oito quarteirões de distância do apartamento, onde algumas das vítimas tinham sido levadas. Zarchi, que também tem credenciais de capelão, foi e falou com as famílias das vítimas. Ele voltou ao hospital no final da tarde para acompanhar as famílias e amigos dos feridos no que pudessem precisar. "É uma tragédia humana", disse ele sobre os acontecimentos do dia.

Ele lembrou o heroísmo que presenciou assim que a primeira bomba explodiu. Mesmo aqueles distantes da explosão, correram em direção ao local do atentado para tentar ajudar, disse ele. "E depois outra bomba explodiu. As pessoas mostraram um valor incomum: correram em direção à carnificina causada por esse ataque".

O pessoal da emergência estava no local do bombardeio. Muitos espectadores e corredores correram para o local para oferecer ajuda. Ele falou da solidariedade de todos moradores e visitantes da cidade que não mediram esforços para ajudar. A mensagem, segundo o Rabino, é que as forças do bem prevalecerão, mesmo em face àqueles que procuram destruir a vida inocente de outros. "O bem falará mais alto e irá engolir o mal pela força da bondade".

No começo do dia, o rabino Neemias Schusterman ficou tão chocado, ou talvez um pouco mais, quanto qualquer outra pessoa depois de escutar as notícias sobre as explosões. Ele tinha deixado quatro de seus cinco filhos, estudantes na Yeshivá Lubavitch, próximo ao Brooklin, que no início do dia estavam com colegas e professores assistindo a maratona anual de Boston. A escola estava aberta, apesar do feriado – um dia sem aulas para a maioria das crianças. A escola está localizada a cerca de um quilômetro e meio da rota dos corredores.

"Eu vivo ao norte da cidade, em Peabody, e fui voando para lá", disse ele, acrescentando que havia menos tráfego do que o habitual devido ao feriado.

"Faltava ainda uma hora para acabarem as aulas quando tudo aconteceu”, disse o rabino de 36 anos: "ninguém sabia o que estava acontecendo, e ainda relataram que estavam à procura de outras bombas."

"É simplesmente assustador. Cheguei à escola e todo mundo estava sentindo o mesmo. Lembramos de 11 de setembro. Eu não conseguia acreditar que isso estava acontecendo aqui em Boston. "

O serviço de telefonia celular foi cortado temporariamente em Boston, aumentando a confusão.

Os filhos de Schusterman estavam a salvo, e ele disse que a escola avistou que todos estavam bem.

"Após conseguir reunir meus filhos e acomodá-los no carro, a caminho de casa tentei responder suas milhares de perguntas e percebi que o seu e o meu mundo jamais seráo o mesmo”, disse Schusterman. "A terrível realidade de que o mal existe e pode tocá-los, mesmo aqui em casa é de partir o coração."

Rabino Mendy Uminer, co-diretor do Chabad de Chestnut Hill, estava buscando sete de suas crianças na saída da escola na segunda à tarde para que eles pudessem torcer por seus amigos que estavam correndo a maratona. "Eu estava indo para buscá-los e assistir a corrida na Rua Beacon", disse ele. Oito membros de sua sinagoga, o maior contingente que já participara em anos, estavam disputando a prova.

Em seguida, ele recebeu um telefonema de seu irmão e sua esposa em Nova York perguntando se estavam todos bem. Eles correram até a escola para pegar seus filhos e certificarem-se de que todos estavam seguros.

Eles foram checar os corredores, e descobriram que alguns ficaram retidos no centro e receberam um telefonema de um de seus amigos mais próximos, que estavam chorando freneticamente ao telefone. Ela não sabia o que fazer, disse Uminer, explicando que, quando ela se aproximou da linha de chegada, começou a andar lentamente. "Ela estava a 20 ou 30 passos de distância para cruzar a linha de chegada quando assistiu ambas explosões", disse ele. "Ela estava cansada e disse: 'Se eu ainda estivesse correndo, quem sabe onde eu estaria.’"

As chamadas e e-mails continuaram chegando ao longo do dia, disse ele. Os oito frequentadores de sua sinagoga finalmente conseguiram chegar em suas casas e todos estavam ligando para seus amigos e familiares em busca de notícias.

Uminer enviou para a sua lista de mil e-mails atualizações sobre os acontecimentos e espera organizar um serviço especial de orações nos próximos dias. "As pessoas querem saber como podem ajudar", disse ele. "Eu acho que não há nada a fazer a não ser rezar e pensar naqueles que se encontram em situação crítica e por seus familiares. “Quanto aos corredores da sinagoga, que ficaram presos no centro, sem telefone nem carteira, foram levados por estranhos em um percurso de 45 minutos para suas casas. "Eles estavam muito sensibilizados por toda a bondade e carinho dedicado por essas pessoas, que os ajudaram em momentos tão críticos.”

Essas histórias estão surgindo agora, sobre como corredores correram para o hospital após a maratona para doarem sangue, e como as pessoas pararam tudo o que estavam fazendo para ajudar uns aos outros. "A mensagem mais forte neste momento é que mesmo em ocasiões tão terríveis como esta tragédia, as pessoas correm para se ajudar mutuamente.", disse ele. "Às vezes, a mais escura das tragédias revela a grandeza do espírito humano, e talvez seja essa a lição que podemos aprender e compartilhar ao tentarmos proteger-nos e orar por todos os outros."

Para Zarchi, de volta ao hospital ele estaria ali disponível para uma longa noite.

 

 

 
   
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